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Agência ambiental da ONU dá exemplo em neutralizar emissões de carbono
08/02/2019 - Meio Ambiente
Você sabia que a ONU Meio Ambiente é neutra em carbono desde janeiro de 2008? Na verdade, em torno de um terço das agências das Nações Unidas já alcançaram a neutralidade em carbono. Isso significa que as emissões de gás carbônico geradas por suas atividades foram reduzidas e compensadas por iniciativas para armazenar gases do efeito estufa presentes na atmosfera.
 
Em 2007, dirigentes do organismo internacional aprovaram a Estratégia de Neutralização do Clima da ONU, que pedia a cada instituição da Organização para medir, diminuir e compensar emissões de gases do efeito estufa. A ONU Meio Ambiente recebeu do secretário-geral a missão de liderar as Nações Unidas na implementação desse marco.
 
As emissões de CO2 respondem por 82% do aquecimento global. O restante é associado principalmente aos gases metano e óxido nitroso, com um potencial muito maior de elevação da temperatura.
 
Em novembro passado, um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que as concentrações globias médias de gás carbônico haviam aumentado pelo terceiro ano consecutivo em 2017, bem como as taxas de metano e óxido nitroso. O documento também apontou o ressurgimento da ameaça do CFC-11, que não só pode aumentar a temperatura do planeta como também destruir a camada de ozônio — essa substância já é regulada pelo Protocolo de Montreal.
 
Também em 2018, uma publicação da ONU Meio Ambiente revelou que as emissões globais de gases do efeito estufa em 2030 precisam ser de 25% a 55% menores do que em 2017 para colocar o mundo em um caminho de menor custo a fim de limitar o aquecimento global a 2 °C e 1,5 °C.
 
Como a ONU Meio Ambiente neutralizou seu impacto climático?
A ONU Meio Ambiente alcançou a neutralidade climática por meio de um programa de compensações baseado na mitigação e na aquisição de certificados de redução das emissões em projetos, principalmente na Ásia. Essas diminuições foram validadas pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Essa estratégia foi combinada a uma redução líquida de 35% em sua pegada climática, o que garantiu a neutralidade do seu impacto sobre as alterações do clima ao longo de uma década.
 
Uma dos gargalos desses esforços são os voos. As emissões de CO2 devido aos voos de funcionários da ONU Meio Ambiente e de pessoas que a agência convida para conferências e reuniões respondem por cerca de 80% de todas as dispersões de gás carbônico do organismo. Mais da metade (56%) de todos os voos pagos pela instituição são para participantes de eventos organizados pela ONU Meio Ambiente.
 
A proporção de voos na classe executiva caiu de 22% em 2011 para 10% em 2016, embora tenha havia um aumento de 35% nas emissões em 2017. Com a exceção do ano retrasado, as emissões associadas aos voos observaram uma tendência geral de queda.
 
“A pegada (ambiental) dos voos da ONU Meio Ambiente é típica de uma pequena agência do Secretariado que atende a muitos Estados-membros”, afirma o oficial de Sustentabilidade e Neutralidade Climática da agência, Shoa Ehsani.
 
Segundo o especialista, o impacto climático dos voos do organismo “não pode ser comparado com o de outras agências da ONU, como as Operações de Paz ou o Programa Mundial de Alimentos, que têm emissões per capita de voos bem menores, mas emissões para transporte terrestre muito mais altas”.
 
“Nossa pegada climática é o nosso custo em carbono de fazer negócios, (meios) eficientes devem nos ajudar a reduzir isso ao mesmo tempo em que cumprimos nosso mandato”, completa.
 
A ONU Meio Ambiente registrou uma queda de 50% nas emissões entre 2010 e 2016. Isso manteve a agência à frente do ritmo de reduções de emissões dos países do Protocolo de Kyoto (3% ao ano) — a taxa de diminuição desse acordo foi instituída pelas nações e pela UNFCCC.
 
No geral, o corte nas emissões da ONU Meio Ambiente foi possível por meio de uma ampla diminuição nos voos, em especial os voos da classe executiva. Em 2017, um aumento de 42% nas viagens aéreas — na comparação com 2016 (ou de 21% na comparação com o valor base de 2010) — levou a redução da pegada da ONU Meio Ambiente para 35% ao longo de sete anos. Contudo, aponta a agência, esses valores não incluem emissões do uso de veículos pessoais pelos funcionários.
 
Compensar as emissões de dióxido carbono é uma vitória rápida de ser conquistada por companhias ricas, organizações e indivíduos, uma vez que essa estratégia delega o trabalho de compensação para países e empresas que podem ajudar na mitigação global a um custo menor, permitindo que outros atores comprem esses esforços como créditos. Mas essa não é a solução mais sustentável para mitigar as mudanças climáticas, uma vez que esse tipo de política não altera os comportamentos das pessoas. Outras ações para implementar políticas verdes são indispensáveis.
 
O complexo da ONU em Nairóbi: uma história de sustentabilidade
O complexo da ONU em Nairóbi, no Quênia, cobre 56 hectares e recebe de 3,5 mil a 4 mil pessoas todos os dias úteis. A área conta com painéis solares que fornecem em torno de 12% de toda a energia consumida pela estrutura. O resto vem de geradores a diesel instalados no local, que respondem por 7% do abastecimento, e da Companhia de Energia e Luz do Quênia.
 
Em 2017, o complexo começou a separar e reciclar seus resíduos, com a meta de reduzir em 90% a quantidade de lixo que era enviada para aterros sanitários. Dados atuais indicam que a queda já alcançou os 70%, por meio da reciclagem. A expectativa é bater os 90% e ultrapassar esse valor em alguns anos.
 
Outras ações para reduzir a pegada de carbono do complexo incluem a disponibilização de 13 ônibus que levam e trazem funcionários, deixando-os em algumas localidades perto de onde moram. Alguns desses veículos rodam com biodiesel. O Escritório da ONU em Nairóbi também incentiva o trabalho flexível e o home office, para evitar engarrafamentos no trânsito e dispensar os profissionais da necessidade de vir todo dia ao escritório. Durante o Dia Mundial do Meio Ambiente, são servidas no refeitório opções de comida saudáveis e que não contêm carne.
 
O Escritório Executivo da ONU Meio Ambiente e a Assembleia Ambiental das Nações Unidas são considerados ecologicamente responsáveis e climaticamente neutros. Muitos processos internos da ONU já não utilizam mais qualquer papel. Apenas na ONU Meio Ambiente, são usadas de 6 a 8 milhões de folhas de papel por ano, com um gasto anual em papel e impressão estimado entre 80 mil e 100 mil dólares.
 
Ainda nas instalações de Nairóbi, um conjunto de placas fotovoltaicas produz eletricidade suficiente para neutralizar o consumo de energia da ONU Meio Ambiente.
 
“Alguns argumentam que simplesmente compensar as emissões de carbono comprando créditos de carbono é uma receita para uma atitude de ‘business as usual’. Embora muito mais passa ser feito no complexo da ONU para ampliar o uso de energia renovável e sofisticar os esforços de reciclagem, estamos no caminho certo”, completa Ehsani.


Fonte: ONU.


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